Há algum tempo que não escrevo. Antes escrevia em qualquer lugar comum, numa qualquer folha de papel, acerca da vida, da rua, do tempo, do nada e do tudo.
O “antesâ€� já lá vai há algum tempo e confesso que tenho algumas saudades.
Hoje leio e escrevo pouco, penso muito, porém, e assim faço renascer de alguma forma, as ondas encrespadas, que alimentavam o meu Ser.
Julgo ter perdido o jeito…fiquei longe demais das minhas palavras e atraiçoei-me ao querer fingir que poderia passar sem elas. Não consigo, são parte de mim.
Esteja eu onde estiver, a vontade de escrever e de deixar extravasar a imaginação, é mais forte do que Eu e este Eu que sou arrasa qualquer outro Eu que seja .Confuso?? Não. Apenas sobejamente sentido.
Recordo as horas que passei sentada na mesa do café, à espera de uma amiga que todos os dias chegava atrasada, aniquilando guardanapos de papel, dando-lhes um outro sentido, que não o uniforme. Guardava-os com todo o carinho na minha mochila e ali permaneciam até os resguardar na minha caixinha de cartão, completamente abarrotada.
No papel podia ser quem eu quisesse, estava segura, tantas vezes infeliz e desolada pela falta do amor. E estes dias repetiam-se sem final previsto.
Quando a minha amiga chegava, ainda mergulhava nas palavras, sem reparar , sequer, no que me rodeava, isto porque a vergonha de estar ali sozinha era maior do que qualquer ilha do Pacífico.
Assim viajava, rebolava pelo mundo, sem saber se o caminho certo seria a Norte ou a Sul. Sabia, no entanto, a genuinidade das minhas palavras e isso era o bastante para me sentir alguém.
Longos meses quedaram até hoje, eternos meses de tentativas vãs de não me entregar de novo a esta forma profunda de mostrar emoções. Estou aqui de novo, talvez tão magoada como antes, talvez com menos esperança e ilusão, mas com a mesma vontade imensa de sonhar.
Do sonho começou isto, ao sonho voltei, como irá terminar??