Quero agradecer a todos os visitantes que têm contribuido para que este blog
seja um lugar muito especial para mim e que têm partilhado comigo a paixão
que é a escrita.
Um enorme abraço, do fundo do coração,
Nádia
Esboços
Sou velho, cansado, extremoso
Li nos meus templos quase toda a rotina
Passeei por muros e castelos
derrubei corações, alteres e esquinas
Comi do prato da fome
Cobri-me de pele flácida e indolor
Vi nascer o sol, molhar-se a chuva
Vi a caverna de gelo onde mora a dor
Contei paralelos e velas
No meio da rua estéril e nublada
Arregacei o meu chapéu sem fundo
Vi Veneza ser julgada
Aconcheguei-me bem longe das labaredas
Engoli o respirar da natureza
Bebi da terra do chão
Dormi na cama da pobreza
Hoje sou velho, pincel em reforma
Cujos bigodes já só se sabem lamentar
Mas guardo no peito os quadros que, à alma
Nem a morte irá roubar