Estou cansada de ser eu
De não ter onde calhar
Ver o mundo a olhar
Um outro que desconheço
Quando quase me esqueço
E me forço a ser alguém.
Fico-me pela mármore fria
À margem de todas as virtudes
Tudo do que sou feita é inútil
E não sei como mudar
Talvez um génio me pinte num quadro
Para expor à cabeceira
E permaneça à minha beira
E me aconchegue a dormir.
Estou num lugar sem saber onde
Num tapete movediço, calculista
E o eu que sou não me diz nada
Fujo de mim e ninguém sabe