Hoje tenho algo para contar, não ficção , mas algo real, para o que isso tem de bom e para o que tem de mau.
Quando , de manhã, cheguei ao trabalho, uma colega chamou-me à atenção que da vidraça podia ver uma gaivota bebé que caiu enquanto voava, partindo a asa direita.
Era fácil perceber que não passava de uma jovem ave, pelo aspecto da penugem e pelo seu pequeno porte.
Não podíamos deixar aquele pequenino Ser esquecido no passeio do parque de estacionamento, por isso, contactei algumas instituições.
Comecei pela Fapas - Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens, uma vez que , como o nome indica, existe para proteger animais selvagens, que seria o caso. Contudo, fui informada que nada poderiam fazer e que deveria contactar o Parque Biológico de Gaia. Assim fiz.
Apercebi-me que não iria ser fácil, quando do Parque Biológico me indicaram o numero de um senhor, supostamente capaz de se deslocar e levar a gaivota para ser tratada. Anotei o numero e o nome e logo de seguida efectuei a chamada.
Expliquei toda a situação, inclusivé, que nenhum de nós poderia sair do emprego para levar a ave ao veterinário mais próximo e eu não tinha carro para a deslocação. O senhor que, supostamente, é incumbido de socorrer animais feridos, indicou-me que não se encontrava no Porto e que a única coisa plausível a fazer, seria contactar a PSP, convencendo os agentes a virem buscar a gaivota bebé e levarem-na ao Parque Biológico.
Evidentemente, ninguém contactou a PSP, porque iríamos ser alvo de chacota.
A esta altura já eu punha as mãos à cabeça, porque não esperava que as próprias instituições, criadas para o efeito, ?empurrassem? umas para as outras a responsabilidade de salvar uma criatura selvagem, impossibilitada de sair do local onde caiu.
A colega de que falei no início, contactou de novo o Parque Biológico. Neste contacto fomos informadas que é habitual o tal senhor, cuja função, reforço, seria fazer este tipo de salvamentos, dizer que não está na cidade ou marcar e não aparecer.
Para terminar, contactei o Jardim Zoológico da Maia. A pessoa que me atendeu, indicou-me que não seria a mais apropriada para me informar e que contactariam mais tarde para tentar ajudar. Pois?isto passou-se ao meio-dia e meio. São três da tarde e até agora ninguém ligou.
Por favor, isto é um escândalo! Afinal , para que existem essas instituições? Para que servem afinal? Será que nunca passaremos da fase dos Paleolíticos em situações como estas????
A esta hora a gaivota já está a ser tratada, graças a dois colegas de trabalho, que levaram a bebé ao Parque Biológico. Quem deveria , realmente fazer alguma coisa, despachou o assunto e nada fez para nos orientar.
Pena que esta situação, bem como outras do mesmo padrão, não sejam divulgadas à opinião pública, de forma a tomarmos ,todos ,consciência do país em que vivemos.