Abrem-se as pálpebras dos céus
Rosna a voz matinal do ardina
Um nó de gravata vai-se formado
Enquanto discutem as esquinas
As ruas sem gente são agora caos
Um veleiro antigo castigando os mares
Ambíguos lábios sussurram com sono
Palavras que partem, se juntam aos pares
O ponteiro do despertador vai arriscando-se
Temperando as arrobas, fingindo a pressa
Acordam desalentos nas bermas molhadas
Que um minuto passou nestas áridas estradas
E em sessenta segundos o mundo gira veloz
Sorrisos se fomentam, lágrimas se descobrem
Beijos se inventam e se trocam em tempo curto
Mas afinal, afinal, quanto tempo é um minuto?