Pelos meus castelos de areia
Vou tomando-te nos braços
E no teu rosto, nos teus traços
Vejo lume, sagacidade e mar
O tempo passa voando
Deserto que sinto tão meu
Sei que quero encontrar o céu
Mas sinto que é tão difícil
Sabes, sonhei tanto e tão alto
Criei um mundo próprio e tão belo
Que realidade, ao não sê-lo
Agonia o que sou por dentro
É como viver num teatro
Escuro, poeirento e feliz
E cantar porque se diz
Que espanta fantasmas sós
Quem me rouba o que sou
E sem querer me camufla
Rasga a ascendência da lua
E eclipsa a genuinidade
Quase sempre escrevo porque amo
Ás vezes escrevo para esquecer
Para saber que vão morrer
Os meus minutos de pensar
O sonho virá novo
Se em mim lhe der guarida
E salvarei a própria vida
De uma outra abstracta
Palavras que somem, que falham
Palavras que doem e que ficam