Blog de poesia da Nádia.

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Quero agradecer a todos os visitantes que têm contribuido para que este blog seja um lugar muito especial para mim e que têm partilhado comigo a paixão que é a escrita. Um enorme abraço, do fundo do coração,
Nádia

Novas Folhas 


Este é o dia em que todos fazem um balanço do que deixam para trás nos 365/6 dias do ano velho.
Quantas coisas boas aconteceram? Quantas más? Valeu a pena arriscar?
São muitas as perguntas que colocamos no dia que antecede o novo ano, tantas quantos os dias que passaram e que nos trouxeram novas condições, novos estados de ser , de pensar e de sentir.
Sentamo-nos numa pedra em frente ao mar e o que vemos?? A vinda de novos sabores, a ida de velhos tempos, amargurados, repletos de delícias, um misto de branco e preto.
Celebra-se a entrada de um novo ano, vindo directamente da incubadora, pronto a traçar novos rumos àquilo a que chamamos vida.
Não é fácil colocarmos atrás das costas o historial de um ano inteiro. Ficam marcas inultrapassáveis. Um amor não correspondido ou tardiamente apagado, o desaparecimento de quem nos preenchia o coração, a mudança de amigos e de emprego, para algo novo e indefinido..
Prefiro não me sentar na pedra fria e indiscreta frente ao mar e deixar de lado todas as minhas formas de sentir a vida. Passou, é passado. O futuro é em direcção ao desafio e à esperança de momentos melhores.
A simplicidade de gostar de coisas simples e amar sem condicionalismos seria o ideal de um mundo, em vez da perversão e da ganância de novas terras e poderes, mas continuarão a existir tempos de guerra e de angústia, de pó e de tristeza. Resta-nos darmos valor às mais pequeninas coisas que se proporcionam.
Ontem comprei duas canetas e fiquei feliz como se tivesse adquirido uma casa com piscina em frente à praia e rejubilei, rejubilei?jurava que tinha regressado aos meus 6 anos , mas não, ali estava eu, com 23 anos , sorrindo expressivamente por ter encontrado as canetas que procurava. À noite, deitei a cabeça na almofada, quando já todos no prédio dormiam e só os sons naturais me afagavam, pensando que o dia tinha sido especial ,porque já posso escrever as minhas divagações com a caneta cor-de-rosa, pintada com margaridas.
Se um dia quiser deixar de ser assim ousar modificar-me por paixão a alguém, impeçam-me de o fazer, atirem-me o sol para me queimar , debrucem-me sobre a lua para desmaiar de espanto, porque não quero deixar de ser eu , não quero perder o amor que tenho à escrita e a tudo o que a envolve, não quero perder a alegria que sinto quando pego numa folha de papel em branco.
Um dia houve em que não gostei de mim, pelo menos não tanto como gosto agora, mas aprendi a aceitar-me e à forma de lidar com a vida e com os outros. E hoje, dia de Ano Novo , transacção de 2004 para 2005, espero virar uma nova página da minha vida e lutar por momentos mais felizes , nunca deixando de ser eu?sendo sempre eu, a Nádia que sempre fui , que nem sempre sou, porque me esqueço de mim. Complicado? No fundo, todos entendem!


Espírito de Natal 

O que significa o Natal?
Será que o Natal é o senhor de barbas brancas e as renas que fazem voar o trenó?
Será que o Natal é o pinheiro repleto de embrulhos coloridos, bem feitos, mal feitos, fitados pelas crianças , que correm pela casa?
Ou será que o Natal são as palavras bonitas que todos dizem e que se dissipam a partir de Janeiro?
O Natal é sobretudo sentimento, lembrança, carinho?e ontem estava eu sentada no mesmo local onde me encontro agora, junto à janela, com as mãos gélidas do ar frio que não cessava , trauteando canções de Natal, quando um pensamento rompeu pelo momento e me calou todos os poros. Estava a ouvir a música Silent Night , aquela música que o meu avô me ensinou a tocar no pequeno órgão lá de casa. Por instantes recuei no tempo e juro que parecia estar a viver tudo de novo. Ali estava o banquinho de veludo cinzento, onde nos costumávamos sentar, o armário da roupa, os peluches, o Mumbley , o cãozinho lá de casa e o meu avô.
Infelizmente, o meu avô já não pode ensinar-me mais nenhuma música, mas conseguiu, onde quer que esteja, que eu recordasse algo que parecia adormecido em mim. E senti-me feliz por recordar e triste por não o poder abraçar e agradecer o carinho que me deu desde pequenina.
A vida muda, as pessoas que mais amamos vão perdendo-se , umas mais cedo do que outras, mas as memórias perduram , adormecidas, inconscientes e um dia voltam?voltam sempre!
O Natal é , talvez, olharmos quem somos, quem amamos e tentarmos fazer melhor da próxima vez que tivermos alguém importante na nossa vida. E se virmos bem , há mais a quem amar do que possa parecer, basta abrirmos o espírito e percebermos, que todas as formas de amor são mais belas, do que outra qualquer forma de sentir.

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FELIZ NATAL A TODOS!


Em especial para um grande amigo, aquele que criou este blog e que me tem incentivado a escrever, Obrigada e um Natal muito feliz , Rui!