Blog de poesia da Nádia.

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Quero agradecer a todos os visitantes que têm contribuido para que este blog seja um lugar muito especial para mim e que têm partilhado comigo a paixão que é a escrita. Um enorme abraço, do fundo do coração,
Nádia

Silhueta 

Sinto raiva na tua voz, no dorso das tuas palavras
Parece que és pedra e ferro
Em vez de aguarela cor-de-rosa
Não sentes? Não amas? És gente?
Ninguém é perfeito, imperfeição
E se não tens coração
Pior de ti e de quem bem te quer
Esqueces-te das tuas fraquezas
Do menino que foste
Do homem em que te tornaste
Falhaste , contradição
Venceste, não sei a razão
Se não amas e não gostas
Indiferença que mostras
Se não sabes ser tolerante
Ambíguo Ser-humano, indigno do mundo
Lá no fundo, talvez o não sejas
Mas só para que vejas
É difícil entender-te
E merecer-te
Não sei se é bom, ou se é mau


Faces 

Deixas-me desconcertada
Abandonada à minha sorte
Pena de morte
A este amor que se esconde
E que se funde perante os deuses
Tentei esquecer, tentei mudar de morada
De lábios, de pensamento, de abraço
Mas a tua sombra ultrapassa
Todas as tempestades de areia
Que se geram no deserto
E sinto o coração mais perto
Cada vez mais desperto para ti
Evito, quase grito, amarro-me às nuvens
Pedindo a mim mesma para não sonhar contigo
Pendindo a mim mesma para não te esperar
Mas a lua ignora o meu pedido
E traz-te para junto de mim
Para meu alento, para meu tormento
E não vais embora
E o meu rosto cora
Por te olhar de perto
Ficaste algures em mim
Não pensei pensar-te aqui
Não pensei sequer pensar-te
Talvez amar-te
Não seja tão absurdo assim.


Miscelânea 

Sobejo, anseio, tormento
Vida minha e meu alento
Poema meu, minha alegria
Dia-a-dia, sonho pensado
Amor triste e chorado
Amor feliz e absoluto
Momentos que não esqueço
Momentos em que adormeço
E acordar, não eu não quero
Falta-me voz e coragem
Para saltar do prédio alto
Para as costas do sol
Sei que saltando vou voar
E quem sabe encontrar
A luz por trás das trevas
Sei que erro e que erras
Quando nada dizemos ao outro
Sobre o que somos e nós
Vamos mantendo a paixão
Esquecida no telhado
Se soubesses desse amor
Que trazem as histórias de outrora
Talvez sentisses o que sinto
A vontade que ralha e que chora
A saudade que grita e que cessa
Num papel em cima da mesa
Neste coração, que assumo meu



Segredo 

Sabes quem sou, de onde provenho
Sabes como respiro e como ajo à tua beira
Sabes, passo-a- passo o que vivi
Sabes da minha complexidade e dos livros que li
Sabes como eu adoro trautear uma cantiga
Sabes a cor que mais me fascina
Sabes de mim e dos meus anseios.
Sabes que não existo longe dos meus desejos
Sabes que penso em ti em qualquer altura
Sabes que me tens e que sou só tua.

Eu sei quem és, de onde apareceste
Sei a tua expressão durante o sono
Sei como conseguir tirar-te o fôlego
Sei da tua teimosia e da tua genuinidade
Sei dos teus olhos verdes e da tua ambiguidade
Sei das carícias no rosto quando acordas
Sei que nesses momentos me olhas
Sei das tuas palavras quando te zangas
Sei que te tenho e que és meu.
E apesar de tantas palavras escritas
De tantos poemas consumados
O mais puro sentimento
Mantém-se dentro de mim, dentro de ti
E o silêncio torna-se a forma
Mais simples de amar alguém.
Não fales. Abraça-me


Noite 

As noites são longas
Olho a parede expressiva
O escuro por entre a cortina
O vazio que se me escapa
Sento-me por entre os lençóis
Desejando que não fosse noite
Mas o aclarar do dia
Ainda tem muito para esperar.
E viro-me para o outro lado
Na tentativa forjada de não sonhar
No pensamento cabem todos os medos
Todas as angústias de que padeço
Como se não tivesse fim.
- Ai de mim- penso baixinho
Como fazem os poetas
Na frágil intenção de serem discretos.

Sabor amargo, suor frio
Nem a calma imagem do rio
Transtorna os pesadelos
Contraste feroz com o belo
Dissipam a minha vontade
De sossegar os sentidos.

A parede moveu-se.
O escuro vai rendendo-se
À luz que quer sorver o dia
E os meus olhos negros já cansados
Vão baixando pouco-a-pouco
Num mundo doce de fadas.
Querendo, amando , ficando
Sabendo, doendo, permaneço.


Singular 

A única coisa que me faz ser eu
São as horas em que invento novas palavras
Os valores em que acredito
Os olhares que se descrevem
Os medos reais e estonteantes
Relutantes tecidos do Ser.
Viver, todos vivemos
Sentir, nem todos sentimos
Nem sempre o permitimos
Nem sempre somos felizes.
Mundo?sempre azul , cheirinho a terra
Montes se elevam, aguçam-se serras

A única força da Natureza és tu
Que me guias quando acordo
Entorpecida pelo sono
Que me ensinas a galopar pelo sol
Quando a tardinha se enrosca
E sei que amanhã estás lá
Sei que a tua ausência é quimera.
Mas mesmo que não fosse
Estaria à tua espera.

Talvez saibas quem sou e eu não saiba quem sou
Talvez seja tantos ou tão poucos que não me reconheça
Mas como a única coisa que me faz ser eu são as horas
Em que invento novas palavras
Rio-me de mim mesma e da minha caverna de horrores
E abraço-me a ti, porque sei que reconheces o meu abraço
Mesmo quando as palavras se cansam e se perdem,antes mesmo de serem minhas.


Encantas-me 

Gosto de ouvir cantar baixinho
Gosto de te olhar aqui de longe
Como se fosses difícil de alcançar
E só de te olhar me liberto
Que sensação de leveza
Ingrata esta incerteza
Quem és ,não serás tu ninguém?
Areia fina das dunas
Pego nas mãos tão tuas
Roubando tempo ao que não tenho
E com desdém te mereço
Fixa no teu olhar permaneço
E gostar de ti é como estar nua
Corpo no reflexo da lua
Alma, lugar incerto.