Deixas-me desconcertada
Abandonada à minha sorte
Pena de morte
A este amor que se esconde
E que se funde perante os deuses
Tentei esquecer, tentei mudar de morada
De lábios, de pensamento, de abraço
Mas a tua sombra ultrapassa
Todas as tempestades de areia
Que se geram no deserto
E sinto o coração mais perto
Cada vez mais desperto para ti
Evito, quase grito, amarro-me às nuvens
Pedindo a mim mesma para não sonhar contigo
Pendindo a mim mesma para não te esperar
Mas a lua ignora o meu pedido
E traz-te para junto de mim
Para meu alento, para meu tormento
E não vais embora
E o meu rosto cora
Por te olhar de perto
Ficaste algures em mim
Não pensei pensar-te aqui
Não pensei sequer pensar-te
Talvez amar-te
Não seja tão absurdo assim.