A única coisa que me faz ser eu
São as horas em que invento novas palavras
Os valores em que acredito
Os olhares que se descrevem
Os medos reais e estonteantes
Relutantes tecidos do Ser.
Viver, todos vivemos
Sentir, nem todos sentimos
Nem sempre o permitimos
Nem sempre somos felizes.
Mundo?sempre azul , cheirinho a terra
Montes se elevam, aguçam-se serras
A única força da Natureza és tu
Que me guias quando acordo
Entorpecida pelo sono
Que me ensinas a galopar pelo sol
Quando a tardinha se enrosca
E sei que amanhã estás lá
Sei que a tua ausência é quimera.
Mas mesmo que não fosse
Estaria à tua espera.
Talvez saibas quem sou e eu não saiba quem sou
Talvez seja tantos ou tão poucos que não me reconheça
Mas como a única coisa que me faz ser eu são as horas
Em que invento novas palavras
Rio-me de mim mesma e da minha caverna de horrores
E abraço-me a ti, porque sei que reconheces o meu abraço
Mesmo quando as palavras se cansam e se perdem,antes mesmo de serem minhas.