Quero agradecer a todos os visitantes que têm contribuido para que este blog
seja um lugar muito especial para mim e que têm partilhado comigo a paixão
que é a escrita.
Um enorme abraço, do fundo do coração,
Nádia
Retórica
Agora que o tempo passa e consigo ver além
De onde provém a tua sabedoria
E as costas do teu papel
Imagino que consigas ser sábio e consigas perceber
As coisas que aqui se passam
Que nem eu sei descrever
Talvez mirando os teus olhos
Leia a vontade dos meus
Talvez vendo as tuas verdades e magias
Consiga decifrar os meus segredos
Capa branca de metal fino e leal
Barba real de príncipe enunciado
Cujos silêncios e pétalas de folhas soltas
Recaem sobre as chuvas secas de quem sente.
Consigo avistar-te.
Não consigo dizer que não ou viciar-me
Senão em ti e no som do mar que sopras
E quem adoro ninguém sabe ou ridiculariza
Por muito temerosas que sejam as vagas
Ninguém prefere ficar em terra
Em vez de amar pelo mar dentro
Com os lábios colados ao vento
Sem encontrar as respostas perfeitas
A perfeição não tem nome
Tudo o resto prefiro chamar amor.
Este e o outro lado
(ELA)
Boa noite!
Não consigo dormir.
já tentei fechar os olhos com toda a força do mundo e imaginar uma tela branca, o vácuo, mas o nevoeiro sempre aparece para me desconcentrar.
Até pegava num cigarro, mas não fumo e o frio do lado de fora dos lençóis não convida a sair.
O que estarás a fazer neste momento?Que parvoíce a minha! A dormir, com certeza. Porque haverias de estar acordado? (
a pensar em mim- múrmura o pensamento).
Mais uma tontice!Será que não páro? Nem sequer sabes quem sou, viajante!
Pulo na cama para espantar a insanidade momentânea.
O relógio parece ter-se zangado com o tempo. Que faço eu?
Fico a olhar as paredes do quarto e a aguardar o amanhecer.
(ELE)
Ainda é noite!
Pois, parece que não vou conseguir adormecer tão cedo.
Já bebi um copo de leite frio, mas o sono não chegou ainda e amanhã tenho de levantar-me cedo.
Se pudesse ia dormir para o sofá, mas o frio não me deixa sequer ter os pés fora da cama.
O que estarás a fazer agora, imaginária donzela?
Dormes indiferenciadamente abraçando um ursinho de pelúcia?
Que tonto sou! Claro que só podes estar a dormir .
Porque haverias de estar acordada? (
A pensar em mim- sussurro baixinho).Tenho mesmo de dormir. Já nem sei o que digo. Puxo os cobertores de forma a ficar imerso num calor quase sufocante e tento esquecer as palavras e as ânsias.
O dia não tardará a nascer.
MEROS ACASOS...QUANDO OS PENSAMENTOS SE UNEM, ANTES DOS CORAÇÕES.
Convergência
Frio.Momentos eternos de corpo
Afagas-me junto à lareira
Onde se esculpem pequenos pontos de fogo
Longo.É o raço que traço no teu rosto
Consigo ver para além da janela
Como és bela e o que sentes
Quando fugimos do vento e nos encontramos na noite
Sonhei contigo tantas vezes, quantas seria incapaz de sonhar
Chamaram-me louco e ilógico
Insensato e irreal
Mas não escutei nada do que foi dito
E fito a forma dos teus lábios sorverem o champanhe
E fito a cor dos teus cabelos e a água de mar a que sabem
E ninguém sabe quem somos e onde estamos
Os estranho deambulam inertes
Enquanto candidamente amamos.
Por ti sou capaz de suster a respiração
De ficar feliz só de te pegar na mão
Sei do que falo quando digo
Que sem ti não consigo sequer ser pó de estrela
Apagam-se as velas e as chamdas da lareira
Sentas-te à minha beira , suspiramos no escuro
E sinto tudo, todas as vibrações, o meu karma
De te amar inadvertidamente
De te amar para além de mim mesmo
Frio? Não o sinto.
Só sinto que sou feliz.
Para mim basta.
Cálice de hipocrisia
- Justiça!- gritam os Homens em punho e algazarra
Que viva aquele que matou
Que sofra aquele que fez sofrer
Que tenha o destino que merece o pecador
Que o que deu é o que irá ter.
-Justiça!- diz o povo erguido na ponta dos pés
Seja feita a justiça pelas mãos de quem se ache à altura
Que beije o chão do seu país e cumpra o seu dever
Que uma medalha espelhará sua bravura
-Justiça!
Que morram os maus e vivam os bons
Que se ajoelhem os pobres aos pés dos senhores
Que nesta turbulenta luta pela justiça, aqui e agora
Quem a seguir será coberto de rosas e louvores
-Justiça!
Que justiça é essa que faz o que julgou?
Que justiça é essa que faz um Homem condenar um outro igual?
matam-se, destroem-se pela ignorância que neles se abriga
Morrem inocentes, choram crianças num pranto de sal
Mas não faz mal...é a justiça!
Horas
Manhã de domingo. Chuva intensa.10:06
Dava tudo para fazer correr o tempo.
O sono no bolso de trás, um frio nos olhos e no céu.
Saberás tu quantas noites tem o dia?
Quantas histórias inventou o Homem
Para mostrar a sua bravura e os seus feitos?
O teu efeito em mim é pimenta preta
Afrodisíaco das arábias
Vontade efémera de dormir em ti
Nunca abro o guarda-chuva
Deixo cair sobre os cabelos o molhado do chão.
Não me escondo da naturalidade das coisas.
E o Sol, sabe tão bem quem eu sou.
Café com leite, chá de perpétuas roxas
Leve ternura no papel crespo
Cresço, imenso, transpiro, inspirador
Como os braços longos do amor.
Da face lisa e pálida da lua
Longe demais para estar perto
Perto demais para se fazer notar
Ampulheta conta o tempo de trás para a frente
Quando ainda não acordei
Quando ainda não tenho o meu lugar.
As persianas fechadas.
Não penso. Não estou para ninguém.