Manhã de domingo. Chuva intensa.10:06
Dava tudo para fazer correr o tempo.
O sono no bolso de trás, um frio nos olhos e no céu.
Saberás tu quantas noites tem o dia?
Quantas histórias inventou o Homem
Para mostrar a sua bravura e os seus feitos?
O teu efeito em mim é pimenta preta
Afrodisíaco das arábias
Vontade efémera de dormir em ti
Nunca abro o guarda-chuva
Deixo cair sobre os cabelos o molhado do chão.
Não me escondo da naturalidade das coisas.
E o Sol, sabe tão bem quem eu sou.
Café com leite, chá de perpétuas roxas
Leve ternura no papel crespo
Cresço, imenso, transpiro, inspirador
Como os braços longos do amor.
Da face lisa e pálida da lua
Longe demais para estar perto
Perto demais para se fazer notar
Ampulheta conta o tempo de trás para a frente
Quando ainda não acordei
Quando ainda não tenho o meu lugar.
As persianas fechadas.
Não penso. Não estou para ninguém.