Quero agradecer a todos os visitantes que têm contribuido para que este blog
seja um lugar muito especial para mim e que têm partilhado comigo a paixão
que é a escrita.
Um enorme abraço, do fundo do coração,
Nádia
Por trás do sol
Às vezes fico estéril de ideias
Coloco-me a mim mesma em pânico
Ao imaginar que haverá um dia
Que poderá ser hoje mesmo
Em que vou querer escrever
Precisar ardentemente de escrever
E não vou conseguir.
Sinto suores frios
Apenas comparáveis à sensação de um beijo junto ao ouvido
Como um segredo insubstituível.
Se cessassem as palavras
Usaria borras de tinta e sons desconhecidos
Que irias entender tão bem como eu mesma
A luz do sol e os braços do vento
Não teria como expressá-los
Tornar-me-ia numa sonhadora previsível
Insensível, quiçá?noite brumosa,
Fico inerte por momentos
Tão simples, tão óbvio como a doçura dos teus olhos
Eu aqui, apenas eu e eu mesma
Firme na mais infindável evidência
Só quero deixar de escrever
Quando já não fizer sentido
E o destino das palavras e do silêncio
For rotina de um dia e de outro
Por ora , as palavras emanam
Palavras minhas
Descanso por momentos o olhar
De me olhar triste e solitária
Como o cavaleiro andante da canção
Que está sempre lá para ouvir o mundo
Quem me escutará a mim
Quando não souber o caminho do Sol
E das estrelas vindouras
De céus inexplorados?
Palavras amadas e sentidas
Segundos de afável dor só e perdida
Algures na matéria de que sou feita.
Desfeita em palavras o meu corpo
Já nada absorve para além de sonhos
De um dia depois do outro
De um amanhã ao virar do tempo
Qual alento? Não sei por onde navegar
São raras e parcas as palavras de que me visto
E insisto que sou apenas poeta
Porque sinto?por que o não digo e o não sei.
Sou eu
Não sei quem és
Sei apenas que existes
Porque escondes o rosto e as mãos
Algures por entre as penetrantes alvoradas
Vais deixando palavras
Que aprazem o que aqui faço sentir
Vês quando rio e quando choro
Entendes muito além do que esperava.
Sei que o vento existe, porque o sinto
Não sei qual a sua matriz
Sei que existes porque me falas
Sou meramente poeta
Cabe-me somente ser o que escrevo
SOU EU, és um segredo?
Tens as cores do arco-íris?
Tens nome? Terás de certeza
Di-lo- às um dia aos meus poemas?
Eles te escutam atentamente.
Porque sabem que para ti
São muito mais do que palavras
Incandescência
Quando me zango e me assumo
Quase cai o fim do mundo
E até o céu por ser azul
Ouve palavras de escárnio
Por não ser de outra cor.
Quando me zango e dispara
A batida do coração
Fico em ponto de rebuçado
Quero morar numa caverna
No meio da ignorância
Não me apetece falar com ninguém.
Hoje estou assim, raios e coriscos
Mexo-me na cadeira, agito-me
Bato com o pé no soalho
Estou fria como orvalho
E quente como fornalha
Mas não há-de tardar
Que este estado de ser fugaz
Se transforme em pôr-do-sol
E eu volte a amar o céu
Azulzinho como ele é
Página em branco
Virar a página numa manhã chuvosa
Enquanto tropeçamos nos próprios pés
E damos guarida a medos irrefutáveis
É a tarefa mais difícil do universo.
Atravessamos ruas e caminhos
Delineados por rochas homogéneas e amorfas
Onde os sentidos se distinguem
Por não saberem não sentir.
Levamos sempre uma pena no bolso
Para escrevermo algo mais do que dor
Mas a chuva é tão intensa
Que todos os telhados cedem
Não há fogueira que aqueça
Aquilo que sentimos por dentro.
O barulho do dia é quase imperceptível
O pensamento fixa-se nessa ausência
E a chuva que cai sobre o corpo
Gela a pele e a vontade de partir
Há-de um dia dar vontade de rir
Sim, eu sei, mas não hoje e não agora
Vai demorar a virar esta página pesada
E sempre que tentar escrever o dia de amanhã
Vou quebrar sobre o som da chuva
Mas um dia vai passar
Tal como o mau tempo passa
E as horas em que sinto sob um pedaço de papel
E morro um dia de cada vez.
Sentimentos
Nunca pensei sentir isto
Não desta forma
Parece que ressuscitei de uma vida
Que já foi minha
Recuperei as forças e o entusiasmo
De olhar de frente o sol
É diferente.Diferente de tudo o que tenho sentido
Dou por mim pensativa, aguardando que as horas cedam
Para contemplar um sorriso que não me pertence
E caio numa tristeza profunda
Como se fosse a pior pessoa do mundo
Por tão confusa forma de sentir.
Será possível apaixonarmo-nos por um sonho?
Será impossível alcançá-lo nos braços sem arriscar?
Nunca tinha pensado nisto.
Não desta forma.
E danço porque é suave o teu deslizar
E choro porque quero ser feliz por amar
Olhando para os lados e para trás
Disfarçando o que não tem disfarce
Buscando a certeza absoluta da mais absoluta incerteza
Ponho as cartas na mesa
E aguardo que o infinito
Conspire um sonho bom