Às vezes fico estéril de ideias
Coloco-me a mim mesma em pânico
Ao imaginar que haverá um dia
Que poderá ser hoje mesmo
Em que vou querer escrever
Precisar ardentemente de escrever
E não vou conseguir.
Sinto suores frios
Apenas comparáveis à sensação de um beijo junto ao ouvido
Como um segredo insubstituível.
Se cessassem as palavras
Usaria borras de tinta e sons desconhecidos
Que irias entender tão bem como eu mesma
A luz do sol e os braços do vento
Não teria como expressá-los
Tornar-me-ia numa sonhadora previsível
Insensível, quiçá?noite brumosa,
Fico inerte por momentos
Tão simples, tão óbvio como a doçura dos teus olhos
Eu aqui, apenas eu e eu mesma
Firme na mais infindável evidência
Só quero deixar de escrever
Quando já não fizer sentido
E o destino das palavras e do silêncio
For rotina de um dia e de outro
Por ora , as palavras emanam