Invado o meu sofá vermelho
Ao som da avenida calada e do jazz do rádio
Sacudo os pensamentos do dia e suavizo os lábios já sem baton
Nem sabes como é maravilhoso poder dançar sobre a sala
Sentindo o teu respirar mais perto do que nunca
É natural que os passos flutuem na imperfeição
Mas meu amor, deixa que teus pés te levem onde o coração quer
Não deixes de ser feliz ao som desta melodia só porque estou aqui
E te assusta que depois da dança me ames mais do que pensas.
Prometo que te deixo ir embora e não digo uma palavra
Logo que desapareça esta magia que nos envolve
E a música se ausente desta sala.
Não prometo , porém, esquecer-me de ti quando adormecer
Ou mesmo quando sentir no rosto os primeiros raios de luz.
Se sentires o mesmo que eu escreve um bilhete e perde-o à janela
Há formas de amar que desconheces, mas que são tão simples
Como uma delicada carícia no rosto.
No limiar de cada canção quase caio do sonho
E limito-me a pedir em segredo que estejas mesmo ali
Já me habituei tanto a viver no meu castelo de sonhos
Que quase não distingo as cores das nuvens
E era capaz de jurar que o teu brilho é tão peculiar como o das estrelas
Fazes-me bem quando me agarras pela cintura e finges saber dançar
Enquanto me envergonho por te querer abraçar mais do que isto
Sabes o que prometo? Dançar contigo delicadamente, cada nota desta música
Se amanhã quiseres voltar e depois e depois e depois?
Sei que longos são os dias e as noites
Mas mais longa é esta vontade quase desonesta de te amar.
No sofá há lugar para dois. Dança comigo, só mais uma vez
O saxofone fala de nós.
Vamos nós falar de amor.