Os dias são maiores
E as dúvidas e as consternações regem-se
Por duras regras de insensatez
E como se vê, as soluções escasseiam
Há gritos e desassossego
Há intolerância à diferença
Sórdida ignorância.
As ruas curvam-se por medo
Respiram-se tempos medievais
Que outras noites temerosas se seguirão?
Não é esta a mesma lua que nos alumia
Que faz de nós iguais a todos?
Não sou de uma cor só
Sou da cor que me visto
Da cor que me dispo
Da cor que um amigo é
Da mesma cor de quem partilha a vida
E de forma cristalina
Cuida de mim e de nós.
Nas páginas brancas me denuncio
Com lápis preto me interpretem
Porque o mundo meu não tem muros nem cartazes
Nem estereótipos para gente má
Se os há, é criação absurda
Antagónica maneira de amar
Mas há que acreditar
Que um dia haverá paz
Que não se fale nela, tão pouco
Que se faça nascer e se propague.