Onde aprenderam os teus olhos a chorar?
No mesmo lugar de que os meus?
Num quarto fechado, no peitoril da janela
Olhando os deuses contarem as nuvens
E sujarem os dedos escrevendo no céu.
O mesmo lugar que ainda é meu.
Sempre que a vontade de quedar
É mais forte do que um suspiro
E me atiro de qualquer maneira
Para as cores de uma borboleta.
Obsoleta forma de olhar em frente
Rente à janela passam anjos
Aqueles em quem não acredito
E me fitam como à luz da lamparina
Vida, escrita delicada e fina
Sem linhas para queimar
Sem traços para esculpir
Não sei se ainda sei sorrir.
Se ainda sei o que é amar
Onde aprenderam os meus olhos a chorar?
No mesmo lugar de que os teus
No fundo do coração