Todas as tuas palavras
Se formam em forma de amor
Sempre que me abraças ao de leve
Para não me acordares
E me contas baixinho o quanto gostas de mim
E quantas estrelas descobriste por entre a neblina
Todos os meus gestos em ti
São carícias ruprestes
Desenhos de quem não sabe senão dimensionar riscos
Tão raros que não se escrevem nem limitam.
Intensificam-se e prolongam-se unicamente.
E sabes,é em cada momento destes
Nas pequenas juras de amor
Nos pequenos exíguos toques de lábios
Que penso que a vida é injusta
Mas mais injusta é a morte
Que um dia quebrará este feitiço
E já não estaremos juntos no nosso mundo.
Tudo o que restará serão as folhas de Outono
Que lembrarão o olhar livre de quem ama.
Por isso te amarei muito
Para um dia, à frente do outro
Todas as palavras tenham sido ditas
Todos os abraços tenham sido apertados
E todas as saudades se dissolvam
Numa margem qualquer de um rio
A que nunca chamarei de meu
Se não fosse tudo mar
E o teu olhar não se infiltrasse sobre a minha pele
Talvez agora não estivesse aqui a sonhar
Com um dia nas encostas do sol
Acordar contigo ao lado
Com o corpo suado do vento
Que a noite sussurrou
Se não fosse tudo mar
Ida e volta seria fácil de esperar
Mas não é?se vais no azul das espirais
As lágrimas nunca são demais
Se ficas penso que o mundo é meu
E o céu deixa pegadas de momentânea alegria
Só queria que este vai e vem
Não fosse entre tu e eu e nós
Estivéssemos aqui
E não fosse tudo mar
Sonhar é o que sou e do que vivo
Mas preciso de te ter aqui comigo
Se tiveres de ir melhor assim
Talvez para ti e também p?ra mim
Alguma vez isto irá passar?
Irei ignorar a voz trazida num búzio
Descrevendo o teu olhar
Se não fosse tudo mar
A esta hora, já terias ido embora
E eu acordado para caminhar para longe
Mas somos do que são feitos os sonhos
De luz, de amor e de mar.
Os meus dias de cansaço estendem-se pelos dedos rasgados
Os meus pensamentos derrotam todos os sonhos que acalento
E não devo um segundo sequer ao tempo
Escrevo vezes demais
A ausência de idoneidade ou simplesmente por amar
Calaram-me num recuo perfeito
Que ainda não sei como evitar.
Não sei lidar com tantos fogos e tufões
Não sou a mãe natureza, senhora dos céus e dos furacões
Tão pouco sei lidar comigo
A tolerância dos poetas é inverosímil
Ainda não soube esperar
Se quero um beijo, tem de ser já
Se quero proteger quem amo, será para sempre
Não haverá quietismo, nem dor que me escute
Não vou regressar para escrever até que isto passe
Não vou ceder ao que sinto para me alcançar
Poderá demorar minutos, poderá demorar um pôr- de- sol?
Num vermelho de sofreguidão e de magnitude
Alguém me dê um abraço
Mundo?quero-te bem!