Todas as tuas palavras
Se formam em forma de amor
Sempre que me abraças ao de leve
Para não me acordares
E me contas baixinho o quanto gostas de mim
E quantas estrelas descobriste por entre a neblina
Todos os meus gestos em ti
São carícias ruprestes
Desenhos de quem não sabe senão dimensionar riscos
Tão raros que não se escrevem nem limitam.
Intensificam-se e prolongam-se unicamente.
E sabes,é em cada momento destes
Nas pequenas juras de amor
Nos pequenos exíguos toques de lábios
Que penso que a vida é injusta
Mas mais injusta é a morte
Que um dia quebrará este feitiço
E já não estaremos juntos no nosso mundo.
Tudo o que restará serão as folhas de Outono
Que lembrarão o olhar livre de quem ama.
Por isso te amarei muito
Para um dia, à frente do outro
Todas as palavras tenham sido ditas
Todos os abraços tenham sido apertados
E todas as saudades se dissolvam
Numa margem qualquer de um rio
A que nunca chamarei de meu