Prosseguimos a nossa viagem pelo mundo
De bagagem às costas, inútil e completamente efémera
Carregamos o último olhar de quem amamos e a imagem
De uma lágrima a deslizar pelo rosto.
Dizemos que um dia vamos ser felizes, com medo de o ser
Cabisbaixos esquecemo-nos de olhar ao redor
A luz é demasiado ampla para ser confundida com o prazer.
Há tempo para escrever os dissabores da aventura
Busca-se na audácia uma voz firme, que nos esconda as fraquezas.
Abre-se uma fenda no desfiladeiro.
O tecto é o céu escuro e comedido que empresta a brisa
E as paredes são as paisagens que só conhecemos dos livros.
A viagem torna-se cada vez menos real. Somos menos do que somos.
Quando finalmente nos sentamos sob o pó e as pedras aguçadas
Sentimos que estamos tão somente a fugir dos lugares que nos metaforizam
É intenso o medo de ser feliz , mas a bagagem que as costas suportam
Não chega para sentir vontade de sorrir. As saudades não morrem.
Estar aqui e não saber se somos felizes faz parte da tarefa do mundo
Errando pelos caminhos, sentindo falésias e estalactites
Correndo para não chegar a lado nenhum
Amando para sofrer desnecessariamente
As palavras não mentem. Como me fazem feliz!