Por trás dos seus óculos escuros
Avistavam-se rios com margens tristes
Como se as histórias que o corpo suportava
Transbordassem quase além do infinito.
Nunca o escuro fora tão transparente.
Já nada o move. Já nada o tenta.
As calças rasgadas nos bolsos de trás
Pressentem lugares jamais visitados.
Será que um dia algo vai mudar?
Ele acreditava que sim. Senão porque olharia ele
Os raios de sol expandirem sobre o céu?
Ele vê o mundo de outra forma.
Não sabe desenhar o que sente
Porque os seus riscos são incertos
Apenas sabe esboçar nas maças do rosto
Nas rugas que lhe dão forma
Aquilo que o envolve.
Mas faz frio. Um frio que se entorna
Sob o dorso quase despido de boas notícias.
Ele não desiste de sonhar.
E são tantas as vezes que se iluminam os seus olhos
Que um dia não vai ter medo de tentar
E irá longe, tão longe
Como só quem acredita sabe ir.
Ele sabe que para aprender a partir
È preciso aprender a chegar.
O infinito é já ali?