Debaixo dos pés corre fogo
O mesmo fogo que me aquecera os medos
As partidas e as chegadas de sonhos
Muito mais intensos do que aqueles
Que levaram à descoberta da Índia.
O início de qualquer coisa é sempre
Um inevitável fim de outra.
É assim mesmo, que o contrarie
Quem já acedeu aos céus sob o infinito.
O tapete que afaga a pele torpida suavemente.
Lembras-te de como era o nosso abraço?
Debaixo dos pés corre fogo
Nunca esqueças, o mesmo fogo que nos apagou
Os mesmos fios de lava que nos marcaram como rochas.
Custa-me tanto manter os olhos acesos
Neste momento sinto um tamanho medo
Que as respostas não se ausentem
Que não mais se lamentem meus dedos
Nem tremam por te tocar
Adormeça o fogo louco
E não mais volte a acordar.