Eu não acredito em anjos
Anjos de asas longas e pontiagudas
Brancas e tranquilamente deslizantes
Eu não acredito em anjos
Que nos dão a mão num invisível estado de ser
Que nos tocam sem a pele sentir o cheiro.
Que minimizam as lágrimas e pluralizam sorrisos.
As ruas estão equidistantes às alíneas do céu
Eu não acredito que os anjos têm morada
No Olimpo ou noutros ares da severa.
Eu não acredito em anjos quando estou zangada
Com o mundo , com o meu mundo e com os demais
Mas acredito em anjos quando me descubro em palavras
Quando espreito o fio do sol desvanecer em alvorada
E quando chega o fim do dia e sinto que fui eu mesma
Em forma de sonho redobrado, simulando a luz
E o abraço de quem amo me envolve, como se o céu fosse só meu.