O branco gela a voz
Escapa à socapa o frio
Vão e vêm gargalhadas de neve
E simultaneamente, ao de leve
Anuncia-se algo de bom.
Escrevo sem qualquer talento
Oiço as pisadas do vento
Escondo o rosto arosado...
Chega a ser engraçado
Ver quem espreita à janela
Parece ver Dezembro passar.
Há sempre alguém de quem temos saudades
Passaram apenas algumas horas
Mas para mim é tal a demora
Que escrevo para não sentir
Ou na esperança de fingir
Que saudades, não sei quem são.
Pura divagação.Palavra que desconheço.
O branco que gelava a voz
Serena agora o brioso frio
E sem dar por mim já consigo
Dizer saudade sem chorar.