Blog de poesia da Nádia.

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Quero agradecer a todos os visitantes que têm contribuido para que este blog seja um lugar muito especial para mim e que têm partilhado comigo a paixão que é a escrita. Um enorme abraço, do fundo do coração,
Nádia

A verdade das coisas 

De que são feitas as flores?
E porque são tão perfeitas?
Porque ficamos molhados
Quando a chuva se separa do céu
E se une à terra?
Qual é o verdadeiro lado do amor?
E qual o lugar ideal para morar?
As palavras escritas doem mais do as outras?
Porque é que as portas são caminhos
E os sonhos analogias disfarçadas?
Porque é que sinto isto,
Desta forma imperfeita?
Qual a verdade das coisas?
A que sentimos ou a que pensamos?
Não sei...não sei
Por isso é tão difícil existir
Nunca se existe simplesmente.


Circunstância 

Não consigo mover-me
Estou sem palavras
Sem rumo,sem fantasia.
Não pensei chegar aqui
bater no fundo e limitar-me
A ficar quieta até passar.
Não passa...e agora que faço?
Movo-me? Acredito?Volto a envolver-me?
Não comovo o tempo de forma
A que me permita esta agitação.
Não sou de extremos,pondero
Mas neste momento estou
desprovida de qualquer arte
Altura certa para recuar
Altura ideal para seguir em frente.


Fantasia 

Ninguém aprende a sentir.
Pensava eu...
O amor é o centro do mundo
Pensava eu...
E lá fui dar com ele
Escondido atrás de uma gaveta
Estremecendo de medo
Um medo só e involuntário
Que lhe toldou as ideias.

Fechado num canto e imerso em escombros
Daquilo que restou de uma vida passada.
Não quis ser vulgar e perguntar...porquê?
Nem todos os porquês têm resposta.
E afinal o amor não é inócuo...
E eu a pensar que todos os livros
Que falavam em sofrer de amor
Não eram mais do que despeito.
Frágil e condenado a si mesmo
Declinou o pedido de voltar a acreditar
Voltando ao seu lugar de sempre
E eu voltei para o meu mundo
Com o encantamento intacto
Próprio de quem ainda sonha
Que é possível a perfeição.
Mas há quem desista de sentir
Há quem desista de amar
Para aprender a ser feliz.


Hoje não 

A vontade de escrever é galopante
Cresce em sentido constante
Repreende o "eu" estático.
Hoje só poderia falar de amor
E de amor eu não sei falar.
Descobri isso num destes dias
Naqueles dias cor-de-rosa
Em que as manhãs se revelam
Perfeitas tardes de chuva.
Sou tua?
Surreal este estado de ser
Tudo pode acontecer, sim...
Já tinha sido avisada
Letreiro deixado à porta
Dos castelos que construo
Flutuo.
Adormeço para não saber
O que está para além do que fito
E fico.
Penso nos dias cor-de-rosa
Que existem por mera existência
E sem qualquer prudência
Vão embora e magoam.
Mas eu não sei falar de amor.
Quanto muito sei sentir.


(A)mar 

Um corpo só estendido sobre a areia
Falácia imprópria de um deus maior
Respostas que instigam ao percorrer de um sonho
Que apesar de vão, sabe a bem mais do que palavras.
Sobressai a nudez do vento, por entre as rochas nativas
Que escondem histórias antigas e outras que hão-de vir.
A areia percorre quilómetros sob o tom natural da pele
E os cabelos se entrelaçam na humidade do momento.
Tempo...tempo...tempo...não passa, não queda, não surge
Deixa simplesmente de existir, por mim ,por ti por si mesmo.
O teu corpo moveu-se, precipitou-se até ao mar
Desprezando o frio atrevido massajando o rosto
Paisagem ingénua e cálida da invernia
Mas até ser dia,o fogo que se prospecta em nós
Consumirá cada um dos segundos
E se os olhares são profundos e a areia um manto extenso
Nossos corpos vão saber onde pertencem
E que eu e tu já fomos mar.


Bilhetinho 

Não quero esconder-me de ti
Quero cruzar o mesmo caminho que tu
Subir às árvores, correr na praia, beijar o céu
Quero vender o próprio medo e seguir em frente
Viajar pelas horas, chegar perto de ti e reconhecer
Que és o rosto mais belo que algum dia vi.
A emoção desliza em mim como água
A sinceridade propaga-se por dentro e surjo
Finalmente feliz pela passividade ser sombra
Daquilo que é um verdadeiro sentimento.
Será uma questão de tempo?
Porque lá diz o velho ditado,
O destino está traçado
E a ser verdade, as manhãs vão querer saber
Qual o teu nome e o teu sonhar
E eu vou poder responder que não tens nome
És tudo o que de bom se pode amar.