Não há nada a dizer
As palavras não planam,
Não fingem a dor ou a honra
As palavras precipitam-se
De uma forma letal.
Formam círculos de vazio
Onde já nada se descreve
Por entre as alíneas
São ásperas e físicas
Não deixam rasto de boa vontade.
São propagação de frio humano.
Nem sempre.Hoje são.Em mim.
Sirvo-me delas para expulsar o desalento
A vasta desilusão que me cerca no momento.
Mas há palavras bonitas.
Tão bonitas que poderiam fazer de lua
Mascarar-se de eclipse
Numa noite de teatro de rua.
Neste fim que intercepto
Já a paz me olha ao longe
E as palavras me perdoam
Pelas palavras que escrevi.