Estive lá. As mãos suavam como se um rio habitasse nelas. O coração pulsava desenfreadamente. O teu olhar encadeava-se no meu. Célere o sentimento.
O longe , o perto, o silêncio, o barulho…sentia tudo ao redor, ao mesmo tempo. A tranquilidade…vinha de ti, do formato dos teus lábios, da forma exaltante como caminhavas para o meu abraço.
Olhar-te…não conseguia cansar-me. Como se fosses uma paisagem feliz, depositada num quadro pintado a óleo. A conciliação de todos os sons perfeitos. Lembras-te?
Estive lá e perdi-me. Como foi bom encontrar-me. Lá fora faz frio. Já não importa. Como tantas outras coisas não importam, quando a única finalidade dos actos é a felicidade. Seja ela permanente ou simplesmente um lugar de passagem. Ora o sol, ora a lua…eu e tu, separados por horas luz, diferentes nas sensações, nos sabores, nas palpitações.
Estiveste lá. Da janela via o mar. Olhava-te como se soubesse mais de ti do que tu mesmo. Não ria, não resmungava. Contemplava a forma de estarmos juntos. Presos a nuvens soltas, improváveis certezas.
Hoje estou aqui. Não estás. É tão óbvio como fechar os olhos e ver breu. Mas ainda assim. Hoje estou aqui. Lamento que não estejas. Simplesmente porque o longe e o perto, o silêncio e o barulho se conjugam como o entrelaçar dos dedos. E quando estava contigo ,sentindo que mais cedo ou mais tarde nos iríamos desagregar, só pensava: “Não quero que faça noite”. Mas a noite chegou na mesma…