Hoje consegui deter-me no tempo e apreciar a caminhada das palavras até ao final da linha.
Sinto tantas vezes que o tempo foge de mim, tal qual o coelho branco da Alice no País das Maravilhas “É tarde, é tarde, estou atrasadíssimo”.
Não raras vezes me ausento por momentos do lugar que ocupo para viver um mundo só meu, tão meu que sou capaz de fechar os olhos e acreditar que é real. É o meu lugar, o meu paraíso, a minha conchinha, onde poucos conseguem chegar e onde o tempo é um mero objecto de definição. Que importa afinal o tempo se o desperdiçarmos com insignificâncias?
Este é o meu lugar. Aqui. Um lugar onde moram pequenas coisas. Vejo janelinhas airosas que se iluminam ao ver o sol; Flores que se movimentam com o vento e se deliciam com o barulho dos pássaros. E lá me sento, numa cadeira de baloiço, que outrora o meu avô gostaria de ter feito, e venero a liberdade de poder sentir o que sinto,
Sobretudo embeveço e apaixono-me por essas pequenas coisas, que fazem o favor de me fazer feliz, genuinamente feliz.
Debruço-me sobre um livro, molho os lábios na caneca de chocolate quente e deixo-me intrigar pelas histórias fantasiosas de um escritor. Balanço-me ao som impetuoso da brisa. A noite vai silenciosamente se aproximando e já lentamente as páginas se soltam.
Fecho as janelinhas, puxo as cortinas e enlaço-as junto à parede.
As flores dormem e aguardam que um novo dia desponte, os passarinhos percebem o escuro e o meu lugar torna-se intacto novamente, para quando eu quiser voltar.
De todas as ambições que alguma vez tive e que alguma vez terei, aquela que me move é a de conviver de perto com os meus sonhos e dar valor aos momentos preciosos que acontecem quando não damos pelo tempo a passar.
Uma história que se escreve, um beijo que se dá, um sorriso que se desprende, um amigo que se mantém perto…o sonho é aquilo que queremos que um sonho seja. Um amanhã, uma nuvem, um nenúfar, uma carta ou um som…não importa, desde que seja o sonho de que somos feitos.