Solto um som devagar
Ao divagar pelo som
Finjo nem reparar
Que hoje estou triste e que sei
Que outras palavras virão
Com o intuito de magoar
E outras palavras dirão
O que preferia guardar
E no vermelho sofá
Onde podes estar ou não
Vou deixando ficar
Parte do meu coração
Às vezes pareço morrer
Cento e uma vezes em mim
E paro só para pensar
Que a vida é boa mesmo assim.
Respiro novos lugares
E sonhos distantes sonhados
E tento negar que não sou
Perfeitamente feita de algo
Que não é aço nem madeira
Que não é vidro ou tecido
E querer-te aqui sei que é
Não conseguires estar comigo.
Esta leveza do ar
Que com o mar se confunde
É diferente demais
Da música que te deslumbra
E eu sei que naquele sofá
Onde se entretêm os meus sonhos
Nada mais te dirá
Diferentes como a água e o fogo
E eu persigo o dia de amanhã
E tu algo que eu desconheço
Sei de que alma sou feita
Mas não sei se te pertenço.
Vê como sopram as ondas enquanto pensas
Na forma mais acertada de abordar o destino
Nas mãos ásperas das areias os meus lábios tocam, os meus cabelos se perfumam e convergem com o sal deixado ao acaso.
O céu desenha lugares, formas e cores que desconheço e chama por mim
Os olhos, entretanto fechados, adormecem felizes com a ausência de imagem e permanência da fragrância do mar.
Vê como passam estranhos, levando consigo pensamentos dolorosos, felizes, vazios
O objectivo é um só, obter respostas
Eu quero simplesmente ficar...num momento único
Quando me levantar e seguir, sem olhar para trás, a imagem voltará, o cheiro será outro com certeza
E terei de voltar de novo, mais uma vez e outra e mais outra
Porque vou entretanto descobrindo que eu sou um pouco de tudo isto
Na minha pele há cheiro a mar, no meu olhar há o horizonte e nos sentidos uma vontade tal de sonhar, que se desfaz como as ondas
Sim, vê agora como adormece o dia e diz-me amanhã as saudades que ficaram daquilo que outrora foste.
O mar continua lá, os teus sonhos vão por aí...talvez ao encontro dos meus.