Blog de poesia da Nádia.

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Quero agradecer a todos os visitantes que têm contribuido para que este blog seja um lugar muito especial para mim e que têm partilhado comigo a paixão que é a escrita. Um enorme abraço, do fundo do coração,
Nádia

Aroma 

Solto um som devagar
Ao divagar pelo som
Finjo nem reparar
Que hoje estou triste e que sei
Que outras palavras virão
Com o intuito de magoar
E outras palavras dirão
O que preferia guardar
E no vermelho sofá
Onde podes estar ou não
Vou deixando ficar
Parte do meu coração
Às vezes pareço morrer
Cento e uma vezes em mim
E paro só para pensar
Que a vida é boa mesmo assim.
Respiro novos lugares
E sonhos distantes sonhados
E tento negar que não sou
Perfeitamente feita de algo
Que não é aço nem madeira
Que não é vidro ou tecido
E querer-te aqui sei que é
Não conseguires estar comigo.
Esta leveza do ar
Que com o mar se confunde
É diferente demais
Da música que te deslumbra
E eu sei que naquele sofá
Onde se entretêm os meus sonhos
Nada mais te dirá
Diferentes como a água e o fogo
E eu persigo o dia de amanhã
E tu algo que eu desconheço
Sei de que alma sou feita
Mas não sei se te pertenço.


Aqui onde estou 

Vê como sopram as ondas enquanto pensas
Na forma mais acertada de abordar o destino
Nas mãos ásperas das areias os meus lábios tocam, os meus cabelos se perfumam e convergem com o sal deixado ao acaso.
O céu desenha lugares, formas e cores que desconheço e chama por mim
Os olhos, entretanto fechados, adormecem felizes com a ausência de imagem e permanência da fragrância do mar.
Vê como passam estranhos, levando consigo pensamentos dolorosos, felizes, vazios 
O objectivo é um só, obter respostas
Eu quero simplesmente ficar...num momento único
Quando me levantar e seguir, sem olhar para trás, a imagem voltará, o cheiro será outro com certeza
E terei de voltar de novo, mais uma vez e outra e mais outra
Porque vou entretanto descobrindo que eu sou um pouco de tudo isto
Na minha pele há cheiro a mar, no meu olhar há o horizonte e nos sentidos uma vontade tal de sonhar, que se desfaz como as ondas
Sim, vê agora como adormece o dia e diz-me amanhã as saudades que ficaram daquilo que outrora foste.
O mar continua lá, os teus sonhos vão por aí...talvez ao encontro dos meus.