Solto um som devagar
Ao divagar pelo som
Finjo nem reparar
Que hoje estou triste e que sei
Que outras palavras virão
Com o intuito de magoar
E outras palavras dirão
O que preferia guardar
E no vermelho sofá
Onde podes estar ou não
Vou deixando ficar
Parte do meu coração
Às vezes pareço morrer
Cento e uma vezes em mim
E paro só para pensar
Que a vida é boa mesmo assim.
Respiro novos lugares
E sonhos distantes sonhados
E tento negar que não sou
Perfeitamente feita de algo
Que não é aço nem madeira
Que não é vidro ou tecido
E querer-te aqui sei que é
Não conseguires estar comigo.
Esta leveza do ar
Que com o mar se confunde
É diferente demais
Da música que te deslumbra
E eu sei que naquele sofá
Onde se entretêm os meus sonhos
Nada mais te dirá
Diferentes como a água e o fogo
E eu persigo o dia de amanhã
E tu algo que eu desconheço
Sei de que alma sou feita
Mas não sei se te pertenço.