Blog de poesia da Nádia.

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Quero agradecer a todos os visitantes que têm contribuido para que este blog seja um lugar muito especial para mim e que têm partilhado comigo a paixão que é a escrita. Um enorme abraço, do fundo do coração,
Nádia

Identidade 

Inspirada no mau humor da hora de ponta e na chuva descontente de um dia de Primavera, subjuguei-me aos sonhos que atravessam rios de frustração e resolvi conversar comigo mesma.
Aluguei um tempinho do que sobra do meu , cruzei a perna, enchei o peito de ar e assumi: cá vai disto.
Todos os dias disfarço com pormenores a intenção mais do que oportuna de me entregar aos sonhos que fui criando e dando forma. Procuro saídas que não são mais do que pirilampos distraídos, cuja luz se move conforme o dia e a noite demandam.
Descansam as palavras…silencia-se tudo o que respira e volto a acreditar. Quem sabe? E porque não? A vontade é um passo em frente. Não será como escalar uma montanha ( do que seria perfeitamente incapaz), não será como fechar os olhos e deixar-me cair pelos céus abaixo. Então porque acredito cada vez menos? Então porque me escondo por trás da chávena de café e dos pequenos momentos de vida natural? Não é sustentável deixar de acreditar assim, num estalar de dedos.
Olho para dentro de mim e tenho a certeza que sou das palavras e as palavras são minhas. São penetráveis, saem quase tão naturalmente como um gesto de carinho. Como gosto das palavras…e as saudades que tenho do tempo em que faziam parte dos meus dias de forma altiva.
Sei que esta conversa comigo, que muito me apraz, trazer-me-á novas esperanças.
Será diferente amanhã? Surgirá uma oportunidade? Acordarei um dia com chuva mas com uma vontade inusitada de fazer sol?
A este amor não posso virar as costas. Escrevo constantes bilhetes de amor, convenço as canções de que sei cantar e reservo-me ao direito de exalar um perfume diferente, que só as palavras percepcionam.
Sou mais as palavras que as vozes, sou mais as palavras que o ruído. Sou mais as palavras, mas não vou conversar mais comigo, porque da esperança ao sonho e do sonho ao fim do mundo é um passo.
Um dia…um dia voltarei a sentir que o momento somos nós que o criamos, ao invés de aproveitarmos o que vão surgindo por consequência do passar do tempo. E talvez um dia alguém me leia, como se lê Pessoa, sorrindo por dentro, de sonho em sonho.