Blog de poesia da Nádia.

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Quero agradecer a todos os visitantes que têm contribuido para que este blog seja um lugar muito especial para mim e que têm partilhado comigo a paixão que é a escrita. Um enorme abraço, do fundo do coração,
Nádia

Lenga-trenga 

Tenho um filho, tão docinho
Que de Hugo surgiu Sugo
E de Huguinho o Suguito
Que todos conhecem tão bem
Ri de orelha a orelha
Quando o pai finge que cai
Trom, trom, tom
E ouve-se ao longe o som
Da gargalhada a surgir
Na mais alta entoação.
Eh eh, que animação.
E eu que jurei ao Hugo
Que nem que andasse às turras
Havia de escrever uma lenga-lenga
Não é que sou uma trenga
Saiu disparate, pois claro está
E o Suguito docinho
O meu Hugo, que é um fofinho
Vai rir do trambolhão da mamã
Pam, pam ,pam, pam
E mais dos sons que criei
Sem saber muito bem o que afinal lhe chamar
Concentrei-me nas nuvens e pus-me a pensar
Se o Huguinho fofinho, meu Sugo gostar
Talvez ainda possa voltar a tentar
Porque isto de lenga-lengas, txiiiii
Dá mais que um trabalhão
E depois de pam, pam ,pam,
E do papá fingir tropeçar
Prom, pom , pom
Vamos lá imaginar
Que a isto podemos chamar
De lenga-lenga invertida
Que mais do que jogo de palavras
Seja uma aventura divertida.


Mamã galinha 

Não sei conhecem a música A Galinha Patareca, mas é das favoritas do meu filhote e devo dizer-vos que descobri que para além de patareca também sou mãe-galinha.
O Hugo tem já 13 meses e temos vindo a adiar a sua passagem do quarto dos papás para o seu quartinho, por uma razão ou por outra.
Agora que se aproxima a altura da mudança definitiva surge um friozinho da barriga, não daqueles friozinhos que sentimos quando estamos apaixonados, é algo diferente. É como se os dois quartos estivessem divididos por montanhas intermináveis, vales, vulcões em erupção…E se ele precisar de mim, e se se sentir sozinho e se tiver receio do escuro…e se eu sentir uma tremenda falta de o olhar a dormir?
Sim, eu sei, estou a exagerar e provavelmente a adaptação será bem mais difícil para mim, mas habituei-me a adormecer sabendo que estava tranquilo mesmo ali ao lado.
O quarto do Hugo é um local mágico, ele adora brincar lá. Por vezes deparamo-nos com ele a fitar os desenhos na parede, o candeeiro onde parecem deslizar nuvens e salta à vista que as cores vivas o fascinam.
Eu e o papá já arranjamos um ritual para a primeira noite que o Huguinho dormir no seu quarto, vamos colocar as estrelas florescentes no tecto, de forma a imitar o brilho do céu. Talvez ele adormeça convicto de viverá grandes aventuras ao longo do tempo, sem sair daquele espaço.
E eu e o papá ficaremos felizes por o ver ultrapassar a velocidade da imaginação e inventar novos mundos, personagens nunca antes vistas e histórias difíceis de decorar.
Prometemos que nos iremos rir dos bonecos desenhados nas paredes com lápis de cera, da revolução de brinquedos espalhados pela casa e tenho a certeza que até a Flora ( a nossa Golden Retriever) vai desculpar as malandrices que o pequenino lhe possa fazer.
Este é o grande sonho de que faço parte, o de ter uma família linda e de os amar tanto que em qualquer lugar tudo é cor, é alegria, é simplesmente perfeito.
Ao pai que proporciona soantes gargalhadas…
Ao meu filhote que me faz sentir a mãe mais babada de todos os tempos…
O meu mundo são vocês.


Quando chove e chove e chove...zzzzz 

Quando chove, para além de obviamente ficarmos molhados, mudamos repentinamente de humor. Isto de chuva em pleno Verão irrita qualquer um, até a cigarra da célebre história, que não tem como apanhar banhos de sol.
Quem tem miúdos em casa, que é o meu caso, vai perceber o porquê da minha indignação para com a meteorologia em geral e o S. Pedro em particular.
O Huguinho tem 13 meses, portanto, não tenho hipótese de o levar ao cinema para assistir a um filme de animação, mas também não posso levá-lo ao teatro porque seria prematuro. E claro, não nos deixariam entrar. Jardins e parques ficam fora de questão e assim, num dia cinzento e chuvoso vejo-me obrigada a ir para o único local seco onde o puto se pode distrair com alguma facilidade, o shopping. Oh por favor, com tannntos espaços ao abandono, com a carência de locais onde possamos ir em família, criem alternativas, permitam –nos fazer algo em conjunto que não seja ver montras ou sentar os miúdos nos carrinhos que nos levam o guito todo (porque a musica demora 10 segundos e assim nos levam um euro, quando não é mais).
Podem sempre dizer: ah e tal fiquem em casa. Isto seria uma alternativa se o meu filho (que não será caso único) não estivesse na fase do estou-quase-a-caminhar-mas-entretanto-segurem-me-senao-caio. Lá ando eu e o papá atrás do pequerrucho, para ver se não bate com a cabeça em lado nenhum, já para não falar da quantidade de vezes que temos de ir lavar a chucha que ele manda insistentemente para o chão, ou a quantidade de vezes que temos de correr pela casa, quando achamos (estúpidos , mesmo, so podemos ser verdadeiramente estúpidos) que podemos ir à divisão ao lado enquanto ele brinca no seu quarto.
Os quinhentos brinquedos que têm no quarto não chegam NUNCA, porque eles querem exactamente o que não podem ter e é vê-los a gatinhar a 100 km à hora em direcção à tomada mais próxima, ora para tentar enfiar o carrinho lá dentro ou para espreitar, estilo cu-cu, quem mora aí. Como também não adianta explicar ou advertir porque acabam por se rir da nossa figurinha, ora, shopping com eles que sempre se entretêm a fazer nada de interessante.
Nós cá nos aguentamos, quase a explodir de frustração porque já decoramos as montras e já nem conseguimos respirar devidamente, mas por outro lado contentes por vermos os pequenotes felizes.
Para bem da saúde mental dos pais e mais seriamente, para bem do desenvolvimento cultural daqueles que serão os adultos de amanhã, arranjem um saquinho azul, verde, amarelo, da cor que bem entenderem e criem locais de diversão para as famílias. Não se esqueçam, à prova de água…não vamos nós continuar a gramar com o bom humor do S. Pedro (já nem a festa popular o anima).