
Era uma vez uma madrinha…
A minha madrinha…
Ela gostava muito de ser actriz
E eu gostava muito que ela fosse
Para dar vida aos dragões das histórias
Às lamparinas encantadas e aos super-heróis.
Daqui a uns tempos, quando já não for trapalhão
E conseguir escutar com atenção
Vou buscar o meu livro preferido
E pedir-lhe carinhosamente: Lês-me esta história, por favor?
E eu sei…
Porque a minha madrinha é como aquelas fadas
Que abrilhantam todos os contos e fábulas,
Vai sentar-me no seu colinho
Dar-me um beijinho na testa e sorrir.
Depois vai deslizar pelas páginas
Imitando os sons vibrantes da história
Colorindo com a expressão cada palavra.
E isto enquanto eu, já em pulgas
Vou soltando uns Ahhh e uns Eiiii
Não querendo que aquele momento acabe.
Fica a certeza de que depois do “ e foram felizes para sempre”
Outro momento como este surgirá.
E outro, e outro, e outro
Porque, não sei se já vos contei…a minha madrinha vai ser actriz.
E também eu vou querer um dia,
Contar-lhe uma história, nem que seja pequenina
A de um menino feliz por ter uma madrinha como ela.
( Do Suguito para a madrinha B)

Enquanto a rabugice tentava medir forças com as brincadeiras do papá, lá decidi pegar no Huguinho e levá-lo até ao quartinho.
Logo que me vê aproximar da porta fica radiante. Em tom de alegria, move as pernas e os braços e rasga um intenso sorriso.
Como gosta de ver os “popós” a passar, sobretudo durante a noite, quando se tornam mais caricatos aos seus olhos, sentei-o no parapeito da janela, encostando a cabecinha à dele (são pequenos mimos que trazem sabor a chocolate, já que o tempo que estou com ele não é muito).
Mesmo em frente à janela , quase que sedenta de atenção, espreitava uma estrela.
Apontei para o céu escuro e disse: Estrelinha!
O Hugo olhou e apontou também, como que admirado. Uma luz…pensaria ele…mas não é igual à luz da minha casa, nem à luz dos telemóveis, nem dos meus bonequinhos.
Por uns instantes fitou a estrela, parecendo dialogar com ela em formas curtas de silêncio.
Por brincadeira fui dando voz a um e a outro, criando uma hipotética conversa entre um bebé e uma estrelinha. O Huguinho perguntava à estrelinha onde morava, quantos anos tinha e se gostava tanto de iogurte como ele. E lá pelo meio contaria com certeza as suas mil e uma aventuras no escritório do papá, arrumando “desarrumadamente” os livros de capa dura.
Por instantes ausentámo-nos do quarto e fomos fazer uma visita ao papá. Mas a rabugice voltou e achei por bem conduzir o Gugu até à janela novamente.
Logo que o sentei no parapeito, surpreendentemente, sem que eu tivesse dito fosse o que fosse, ele olhou para o céu e fixou a admiração na estrelinha. Emocionada com o momento perguntei: É a estrelinha? – e o Hugo apontou para o céu.
Ali ficámos , juntinhos um do outro a fazer companhia à estrelinha reluzente, até o soninho aparecer e mandar embora a rabugice.
Naquele bauzinho de momentos especiais, que todos trazemos dentro de nós, ficará aquele instante em que o meu filhote pareceu perceber o porquê da presença da estrelinha: queria somente ser contemplada por alguém tão inocente e simples, que a fizesse sentir feliz na sua nobre missão de tentar mudar o mundo.