Blog de poesia da Nádia.

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Quero agradecer a todos os visitantes que têm contribuido para que este blog seja um lugar muito especial para mim e que têm partilhado comigo a paixão que é a escrita. Um enorme abraço, do fundo do coração,
Nádia

Afecto 



Quando o dia parece querer tornar-me um bloco de gelo , imerso em dúvidas, contradições e lamentos, chego a casa.

Oiço o meu menino chamar: -Mamã?

Corre meio sem jeito e pára nos meus braços. Corre de novo para o seu mundinho e olha para trás para ter a certeza que não me perdeu entretanto.

Senta-se no chão e espera que me sente também. Quer fazer uma corrida de carros. Vrumm vrummm… está deliciado com os sons que vão surgindo da brincadeira.

Mamã- chama novamente quando pareço distraída. Precisa de mim, o olhar sincero não deixa dúvidas.

Levanta-se de rompante para ir buscar outro brinquedo, sim, porque a corrida terminou, já não tem graça. Antes de sair do quarto volta-se, sorri e vem dar-me um abraço apertado, como se estivesse desculpando-se pelo seu ímpeto.

À noite, quando o soninho se atreve a lutar contra a vontade de mergulhar na fantasia, rebola-se nos cobertores, deita a cabeça suavemente e dá-me a mão. Sabe que estou ali e permanecerei, mesmo quando adormecer. Sente-se seguro. Sinto-me segura. Encosto também eu a cabeça à sua pequena figura .Afaga-me o cabelo, com os seus dedinhos mágicos de criança.

O meu bloco de gelo não existe mais. Não há dúvidas ou pensamentos contraditórios, não há lugar para lamentos ou divagações sobre a vida lá fora, porque sou eu o meu filho, o meu mundinho cor-de-rosa e o seu mundinho azul , que cada um criou e que se unem pela razão mais natural da vida: o amor.


Quando não estás , estás em mim, quando estás comigo sou verdadeiramente feliz.

(Ao menino mais doce do mundo)



Quem me conta um conto? 

Hoje estou a precisar de uma história bonita, com tranças reluzentes e laçarote vermelho, brilhante, debruado a gargalhadas.

Uma história com idas e voltas, ondas e e calmaria. Com personagens aventureiras, introvertidas e pacatas, sonhadoras e desconcertantes. Personagens com cores garridas, frases feitos e onomatopeias. O silêncio sou eu….preciso de algo que me confira vida.

Não preciso de uma Cinderela, talvez sim de uma Rapunzel. Não preciso de uma Capuchinho Vermelho, mas talvez de um Peter Pan. Talvez precise mesmo da Galinha Ruiva ou do Macaco do Rabo Cortado ou quem sabe, do Pai Natal e o minúsculo menino. Algo que me faça sonhar.

Espera! Já sei! Preciso da Alice, sim, da Alice no País das Maravilhas. Ó, a Alice…e o Coelho, quero mesmo conhecer o sr. Coelho e conhecer o chapeleiro louco também. Será que me convidam para tomar chá e comemorar o Desaniversário?

É o mundo das Maravilhas… a curiosidade de uma menina… de vestidinho rodado e rendinhas tenras.

A menina sou eu… e agora sou eu que vou deixar-me escorregar e cair… cair… das nuvens para o céu… e vou crescer, para voltar a encolher e vou tomar chá numa chávena de café e vou escolher o chapéu que me devolverá ao meu mundo, de uma forma revivida… e eu vou saber escolher o meu caminho. Obrigada, Alice!