Quando o dia parece querer tornar-me um bloco de gelo , imerso em dúvidas, contradições e lamentos, chego a casa.
Oiço o meu menino chamar: -Mamã?
Corre meio sem jeito e pára nos meus braços. Corre de novo para o seu mundinho e olha para trás para ter a certeza que não me perdeu entretanto.
Senta-se no chão e espera que me sente também. Quer fazer uma corrida de carros. Vrumm vrummm… está deliciado com os sons que vão surgindo da brincadeira.
Mamã- chama novamente quando pareço distraída. Precisa de mim, o olhar sincero não deixa dúvidas.
Levanta-se de rompante para ir buscar outro brinquedo, sim, porque a corrida terminou, já não tem graça. Antes de sair do quarto volta-se, sorri e vem dar-me um abraço apertado, como se estivesse desculpando-se pelo seu ímpeto.
À noite, quando o soninho se atreve a lutar contra a vontade de mergulhar na fantasia, rebola-se nos cobertores, deita a cabeça suavemente e dá-me a mão. Sabe que estou ali e permanecerei, mesmo quando adormecer. Sente-se seguro. Sinto-me segura. Encosto também eu a cabeça à sua pequena figura .Afaga-me o cabelo, com os seus dedinhos mágicos de criança.
O meu bloco de gelo não existe mais. Não há dúvidas ou pensamentos contraditórios, não há lugar para lamentos ou divagações sobre a vida lá fora, porque sou eu o meu filho, o meu mundinho cor-de-rosa e o seu mundinho azul , que cada um criou e que se unem pela razão mais natural da vida: o amor.
Quando não estás , estás em mim, quando estás comigo sou verdadeiramente feliz.
(Ao menino mais doce do mundo)